Família de menino que morreu afogado no interior do AM denuncia demora para liberação de corpo

Família de menino que morreu afogado no interior do AM denuncia demora para liberação de corpo

Corpo foi encontrado pelos próprios familiares, após três dias desaparecido, por conta de falta de bombeiros mergulhadores. Família denuncia que IML requer exame de DNA para comprovar identidade. Resultado deve sair em três meses.

A família do pequeno João Gabriel, de 12 anos, que teve o corpo encontrado por familiares nessa sexta-feira (2), no Careiro da Várzea, distante 25 Km de Manaus, denunciou a demora para a liberação do corpo por parte do Instituto Médico Legal (IML). Segundo eles, os legistas informaram que precisam fazer de um exame de DNA para liberar o corpo da criança, mas o resultado deve sair em três meses.

O menino estava em uma embarcação quando um deslizamento de um barranco às margens do Rio Solimões virou a canoa em que ele estava com familiares e amigos, na quarta-feira (30). A maior parte das buscas pelo corpo foi realizada pelos próprios familiares, por conta de falta de bombeiros mergulhadores disponíveis.

 O tio de João Gabriel, Darlen Pucu, informou que os pais da criança foram surpreendidos com a informação do IML de que, antes de liberarem o corpo, seria necessário fazer o exame de DNA para comprovar a identidade da criança.

“A minha irmã foi no IML e ao chegar lá o legista falou que não poderia liberar o corpo assim, sendo que nós já reconhecemos ele. Fomos nós que o encontramos, ele estava com a mesma roupa do dia do acidente e não tem justificativa, porque ele foi o único que não voltou à superfície depois do deslizamento. Se outras pessoas tivessem desaparecido, justificava. Mas isso não aconteceu”, desabafou.

De acordo com Darlen, parte do rosto do menino foi comido por peixes. No entanto, mesmo com a dificuldade para reconhecer, a família não tem dúvidas de que o corpo encontrado é de João.

A demora aumenta o sofrimento da família, que deseja fazer um enterro digno para a criança o quanto antes.

“Não basta o sofrimento da família, ainda tem isso? Queremos dar um enterro digno, fazer uma última homenagem, mas não estão nos dando essa oportunidade, esse direito que é nosso. O corpo dele foi mordido por peixes, nós vimos, afinal, fomos nós que o encontramos. Até nisso tivemos dificuldade. Não tivemos ajuda de bombeiros, de ninguém. E agora mais isso?”, questionou.

Por meio de nota, o Instituto Médico Legal (IML) informou que a liberação de um corpo exige cuidados necessários e o processo está ocorrendo dentro do período previsto. “Vale destacar que a liberação de um corpo sem identificação, ao contrário de um adulto, requer cuidados ainda maiores”, disse.

Conforme o instituto, a direção orienta que os familiares compareçam ao IML a partir de segunda-feira (5) com registros fotográficos do adolescente. Também se for possível apresentar um odontograma, que é obtido em qualquer clínica odontológica em que ele tenha feito algum tratamento, o processo será ainda mais célere, com possibilidade de liberação no mesmo dia.


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