Médico confirma superfaturamento de 1.100% e denuncia calote de David Almeida

Médico confirma superfaturamento de 1.100% e denuncia calote de David Almeida

Governo de David Almeida manteve esquema de corrupção com mesma empresa envolvida no escândalo da lavanderia de Wilson Lima.

O governo interino de David Almeida superfaturou preços de procedimentos de saúde no interior do Amazonas em 1.100% e ficou devendo mais de R$ 18 mil ao médico que realizou os serviços em 2017. A conclusão é da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde com base no depoimento do ginecologista João Carlos dos Santos.

O médico prestou serviço à Norte Serviços Médicos, mesma empresa contratada pelo governo de Wilson Lima que diz ter lavado 4 toneladas de roupas em apenas um dia quando o hospital de campanha da Nilton Lins tinha somente quatro pacientes.

Aos deputados da CPI, o ginecologista declarou ter cobrado o total de R$ 78.080, mas só recebeu R$ 60 mil. Já a empresa recebeu do governo de David Almeida R$ 868 mil, quantia 11 vezes maior que o serviço contratado. O pagamento foi por nota indenizatória, ou seja, sem licitação e transparência.

“Demorou uns dois ou três meses para me pagarem e quando pagaram, só foi R$ 60 mil. Deixei pra lá [os R$ 18.080 não pagos] senão não iria receber”, disse João Carlos.

O contrato firmado pelo médico com a Norte Serviços previa preços unitários entre R$ 640 e R$ 1.500 por colposcopia e conização, exames que detectam câncer de colo de útero. Pelos mesmos procedimentos, o governo de David Almeida pagou à empresa R$ 8.680, segundo a CPI.

O mutirão de saúde fez 99 procedimentos nos municípios Envira, Ipixuna e Guajará, nos dias 28 e 29 de julho e 10 e 11 de agosto de 2017. Os R$ 78 mil acordados pelo ginecologista com a empresa incluíram os custos de auxiliares, equipamentos e insumos de sua propriedade.

“Só não entrei com estadia e com avião. Mas eu levei meu colposcópio – por sinal, muito pesado –, uma técnica de enfermagem e uma secretária para digitar os laudos. Levei impressora e até papel de ofício, grampeador, tudo. Tive suporte dos hospitais dos municípios. Do governo, não”, revelou João Carlos.

As declarações do médico, colhidas em oitiva do dia 4 de agosto, vão compor o relatório da CPI que vai denunciar o esquema de corrupção ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Amazonas (MP-AM).

O depoimento na íntegra do médico João Carlos do Santos está disponível no link https://www.youtube.com/watch?v=tRW2ogfuLT0 (a partir de 1:56:53)


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