Candidato a prefeito de Manaus faz campanha eleitoral com hospital que não existe mais

Candidato a prefeito de Manaus faz campanha eleitoral com hospital que não existe mais

A estrutura foi toda montada pela Prefeitura de Manaus, em um prédio novinho, feito para uma escola, que estava construído há muito tempo e preparado para receber os equipamentos para atender pacientes.

Durou pouco mais de dois meses e foi fechado desde de junho o hospital da Prefeitura de Manaus usado na campanha eleitoral do candidato a prefeito de Manaus, Ricardo Nicolau, do PSD, partido do senador Omar Aziz. O hospital deixou de atender pacientes desde o dia 15 de junho, quando a cidade ainda registrava mais de 23 mil casos de Covid-19.

Inaugurado às pressas em 13 de abril, o hospital atendeu pouco mais de 570 pacientes, na maioria de casos sem gravidade. Até hoje, a rede pública do Estado atendeu mais de 12 mil pacientes, incluindo quase todos os casos graves. O hospital, improvisado, funcionou no prédio de uma escola, o Centro Integrado Municipal de Educação Lagoa Azul, na zona norte de Manaus, e está completamente desativado. O prédio será usado como centro integrado de educação.

O prefeito Arthur Neto (PSDB) afirmou, sábado, 24, que o Hospital de Campanha Municipal Gilberto Novaes, desativado em junho, foi idealização sua. “Tentaram se apossar do que era uma parte pequena diante do esforço de grandiosidade que a prefeitura fez durante a pandemia de Covid-19”, prosseguiu.

Ricardo Nicolau diz para os eleitores que montou o hospital em 4 dias. A estrutura foi toda montada pela Prefeitura de Manaus, em um prédio novinho, que estava construído e há muito preparado para receber os equipamentos para atender pacientes.

Irregularidades

O Ministério Público de Contas (MPC) denunciou irregularidades no acordo da Samel com a Prefeitura no hospital de campanha. O hospital é alvo de graves denúncias de ilegalidades. A principal delas, é a falta de controle e transparência que podem ter facilitado o uso do hospital para privilegiar e apadrinhar pacientes, por amizade ou interesse político e eleitoral do Grupo Samel, do da família do candidato Ricardo Nicolau.

Em representação enviada em maio ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), o MPC faz diversas denúncias contra as ações no hospital, entre elas, a de que “não consta que os leitos clínicos e de UTI do hospital de campanha estejam sob o controle e a transparência da central reguladora de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS/AM), restando incerta a origem dos pacientes, os critérios de admissão e elegibilidade”.

A falta de controle e transparência podem ter facilitado o uso do hospital para a escolha de pacientes que, por amizade ou interesse político da Prefeitura de Manaus e do Grupo Samel, furaram a fila do Sistema Único de Saúde (SUS), em plena pandemia e em ano eleitoral para a sucessão municipal.

Ainda segundo o MPC, apesar de o deputado Ricardo Nicolau ter aparecido como dirigente do hospital, não houve nenhum termo de parceria, nenhum contrato ou qualquer outro ajuste solene, autorizado em lei, para definição de atribuições, prerrogativas, direitos, obrigações e responsabilidades que o desempenho da direção de hospital público suscita.

Ou seja, o deputado tirou proveito da função, está usando o hospital feito com dinheiro público em sua campanha, sem que possa ser responsabilizado por qualquer problema ocorrido, já que não havia contrato formal com a Samel.


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