Tecnologia faz Covid-19 ter taxa de mortes menor que a da gripe espanhola na cidade de NY, mas ‘salto’ atual foi maior, aponta estudo

Tecnologia faz Covid-19 ter taxa de mortes menor que a da gripe espanhola na cidade de NY, mas ‘salto’ atual foi maior, aponta estudo

As duas pandemias têm muito em comum. Mas os aparatos tecnológicos são essenciais para tentar conter o novo coronavírus.

Um estudo publicado na revista científica Jama (“Journal of the American Medical Association”) levantou o número de mortes da gripe espanhola, em 1918, e o número de mortes durante o período inicial do surto de Covid-19, em 2020, na cidade de Nova York (EUA).

Na comparação, a conclusão é que a gripe espanhola matou mais do que o novo coronavírus. Apesar disso, o salto no número de mortes na atual pandemia foi maior, considerando a mortalidade que era verificada nos anos que antecederam o surgimento de cada vírus.

As análises foram feitas em cima de um mesmo período de tempo, de três meses. A pesquisa tomou como base o cálculo comparativo na proporção de mortes por 100 mil pessoas.

Durante o pico do surto de gripe espanhola, 31.589 mortes por todas as causas ocorreram entre 5,5 milhões de residentes em NY, resultando em uma taxa de 287,17 mortes por cem mil pessoas por mês.

Já durante o período inicial do surto de Covid-19, 33.465 mortes por todas as causas ocorreram entre 8,28 milhões de residentes, uma taxa de incidentes de 202,08 mortes por cem mil pessoas por mês.

No entanto, as taxas de mortalidade de base de 2017 a 2019 foram menos da metade das observadas de 1914 a 1917 (devido a melhorias na higiene e conquistas modernas na medicina, saúde pública e segurança).

Por isso, o aumento relativo durante o período inicial de Covid-19 foi substancialmente maior do que durante o pico da pandemia da gripe espanhola de 1918.

Evolução das mortes nos períodos anteriores à gripe espanhola e à Covid-19. — Foto: Reprodução/Jama

O estudo ressalta que muitos fatores podem ter contribuído para o menor número de mortes por Sars-CoV-2. Um deles é a tecnologia. Um século atrás, os médicos não dispunham de intervenções, como os respiradores e ventiladores mecânicos.

O epidemiologista Paulo Lotufo, que não participou da pesquisa, mas acompanha os estudos sobre o tema, concorda que a tecnologia tem um papel fundamental. “O aparato que temos agora é essencial para o combate ao coronavírus”, diz Lotufo.

A gripe espanhola e a Covid-19 têm muito em comum. Por exemplo, em ambas as épocas não havia vacina para imunizar a população e, assim como no século passado, não existe medicamento comprovadamente eficaz contra a Covid-19.

Lotufo explica que as duas pandemias têm outras semelhanças. “Uma delas é a mesma diferença em termos de nível social. E, assim como hoje, muitas receitas milagrosas eram divulgadas na época da gripe espanhola, como mingau, limão com pinga”.

O estudo alerta que, se fosse tratada de forma insuficiente, a infecção por SARS-CoV-2 poderia ter números maiores do que a infecção pelo vírus da gripe H1N1, em 1918.

fonte: G1


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