Policiais do Deic desmontam cativeiro usado para sequestrar, roubar e matar motoristas de aplicativo em SP

Policiais do Deic desmontam cativeiro usado para sequestrar, roubar e matar motoristas de aplicativo em SP

Local no bairro do Imirim, na Zona Norte, era usado para esconder vítimas de sequestros, roubos, tortura e assassinatos, segundo a polícia. Levantamento da TV Globo mostra que no ano passado 13 motoristas foram atacados na capital, cinco deles foram assassinados. Duas quadrilhas foram presas.

Policiais do Departamento de Investigações Criminais (DEIC) fizeram uma operação, nesta quinta-feira (7), em uma favela no bairro do Imirim, na Zona Norte de São Paulo, para vistoriar um local que serviu de cativeiro para motoristas de aplicativo vítimas de sequestros, roubos, tortura e assassinatos. Um levantamento da TV Globo mostra que no ano passado 13 motoristas foram atacados, cinco deles foram assassinados. Duas quadrilhas foram presas.

No local os policiais encontraram cordas feitas de tecido, restos de alimentos, embalagem para drogas e roupas velhas, mas nenhum sinal de morador. Segundo a polícia, criminosos usavam o espaço como cativeiro.

A quadrilha, apontada pelos investigadores como uma das mais violentas da cidade, transformava assaltos em sequestros. Pelo menos dois motoristas de aplicativo foram trazidos para o cativeiro desmontado na operação. O último foi torturado e morto.

Felipe Henrique Duarte, 28 anos, desapareceu na noite da véspera de Natal. No dia seguinte, o motorista de aplicativo foi encontrado morto, no porta-malas do carro, em uma rua sem saída. Enquanto ele esteve no cativeiro, os suspeitos fizeram compras com cartão bancário dele e até tiraram uma foto.

Um deles, Matheus dos Santos, aparece em cima do carro da vítima. Outro, Valmir Monti Júnior, estava na moto. Enquanto eles se divertiam em um baile, José Marcelo Ferro vigiava o cativeiro. Os três foram presos.

“O aplicativo foi acionado pela namorada do Valmir. Ela alega que só acionou e que não estaria na cena do crime. Então, como a gente não tem o depoimento da vítima nesse caso, a gente está investigando para comprovar a participação dela nesse crime”, disse o delegado Eduardo Cardoso de Almeida Castanheira.

No dia 30 de dezembro, uma quadrilha assassinou mais um motorista de aplicativo. Roger Ferreira da Silva foi chamado para transportar dois homens e uma mulher, na Zona Sul da Capital. Acabou sequestrado e foi obrigado a ligar para a família e os amigos para pedir dinheiro. O corpo dele foi encontrado cinco dias depois.

No dia do enterro dele, motoristas de aplicativo fizeram um protesto. No começo desta semana, a polícia prendeu três pessoas suspeitas de participar desse crime.

Em outubro, outro motorista foi assassinado depois de deixar uma mulher em Pirituba, na Zona Norte de São Paulo. Dois suspeitos foram presos por latrocínio (roubo seguido de morte).


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